2010-06-27

Simão (13 - 16)

Privados de Jónatas, os judeus encheram-se de medo do que haveria de suceder; contudo, depois de um discurso exaltado de Simão, seu irmão, o povo nomeou-o chefe em seu lugar. Apesar de não conseguir concluir a sua primeira missão, que seria recuperar Jónatas - já que Trifon acabou por matá-lo -, Simão quis prestar homenagem aos seus antecessores. Para tal, construiu sobre os seus túmulos «um monumento grandioso, com pedras polidas nas duas faces», composto por sete pirâmides.
Nas suas primeiras acções como chefe do povo, Simão continuou o trabalho do seu irmão; para tal, mais uma vez tirando partido dos conflitos dinásticos entre os Selêucidas, Simão conseguiu que Demétrio II, que entretanto voltara a reinar, lhe concedesse mais benefícios e isenções. Mais importante, Simão reconquistou a cidadela grega de Jerusalém - recorde-se que Judas tentara fazê-lo mas acabou por não ter sucesso. Simão teve e, após montar cerco, conseguiu expulsar todos os gregos que lá estavam, «purificando» a cidadela em seguida. O texto confere uma elevada importância a esta reconquista, já que a cidadela era a última presença grega na cidade de Jerusalém.
Simão também renovou a aliança com Esparta e Roma, oferecendo valiosos presentes, e voltou a imiscuir-se nas lutas dinásticas dos Selêucidas - desta feita, aliou-se a Antíoco VII, filho de Demétrio II, contra Trifon, que entretanto matara este último. Repetindo as acções dos seus antepassados, e já não precisando do apoio dos judeus, Antíoco VII voltou-se contra eles. De forma a preparar a defesa, e por já não ser novo, Simão confiou a defesa do exército a dois dos seus filhos, João (mais tarde, o rei João Hircano) e Jónatas. Num discurso na linha do que Matatias fizera aos seus filhos, Simão recordou como os Macabeus sempre lograram combater contra os estrangeiros, e implorou a ajuda de Deus para os seus descendentes.
Estes conseguiram vencer um importante combate contra o governador Cendebeu, mostrando que a chefia do povo continuava bem entregue. Contudo, Ptolomeu, um outro chefe militar que sendo judeu resolveu combater pelo rei, conseguiu trair Simão, tal como Jónatas já tinha sido traído. Para tal, ofereceu-lhe um banquete; quando este «ficou ébrio», Ptolomeu matou-o. Aproveitando-se desta fraqueza, a sua intenção seria matar também João; este, contudo, foi informado que o perseguiam, pelo que se refugiou. Viria a reinar no lugar de seu pai, como João Hircano, dando continuidade à dinastia dos Hasmoneus, como passou a ser intitulada .
Quanto a Simão, o texto deixa-o com um excelente elogio, na linha daquele feito a Judas Macabeu - «procurou o bem-estar do seu povo, o seu governo agradou a todos e foi grande a sua fama». E isto resume bem as linhas principais do seu reinado. De facto, além das relevantes conquistas militares, que firmaram as fronteiras do reino, Simão também teve uma importante acção a nível civil, «protegendo os humildes do seu povo, zelando sempre pela lei». Isto permitiu que Israel alcançasse paz e prosperidade, mostrando que a revolta dos Macabeus fora perfeitamente bem sucedida: «cada um trabalhava em paz a sua terra (...) os anciãos assentavam-se nas praças e falavam da prosperidade do país; os jovens vestiam-se de ricos vestidos e uniformes militares».
Lisboa, 10 de Julho de 2010