2010-05-30

Jónatas (9,23 - 12)

Após a morte de Judas Macabeu, o seu irmão Jónatas foi escolhido para continuar a liderar os judeus, já que a obra de Judas não estava terminada - basta pensar que Báquides e Alcimo o tinham vencido. Assim, após algumas lutas inconclusivas, Alcimo veio a morrer, e Jónatas conseguiu vencer definitivamente Báquides, que se retirou da vida judaica.
Jónatas revelou-se um bom chefe político, sabendo tirar partido dos conflitos dinásticos dos selêucidas. Assim, quando Alexandre Balas, supostamente filho de Antíoco IV Epifânio, veio disputar o trono a Demétrio I, Jónatas apoiou-o, apesar de Demétrio lhe ter concedido o cargo de Sumo Sacerdote. Desta forma, quando Alexandre conquistou o reino, concedeu também cargos a Jónatas, nomeadamente o de chefe militar; assim, Jónatas reuniu em si os poderes civil, religioso e militar dos judeus. Esta aliança com Jónatas foi também útil a Alexandre, nomeadamente nos seus primeiros combates contra o futuro Demétrio II, filho de Demétrio I, que lhe disputava o trono.
Traído por Ptolomeu VI Filometor, do Egipto, com quem fizera uma aliança, Alexandre viria mesmo a perder o trono para Demétrio II, que também aceitou o poder de Jónatas. É visível como este chefe político sabia tirar partido das lutas dinásticas; nesta ocasião, conseguiu, em troca do apoio ao novo rei, que o território da Judeia fosse aumentado. Quando Antíoco VI Dioniso, filho de Alexandre, foi proclamado rei contra Demétrio II, Jónatas apoiou-o, combatendo este último, que entretanto o começara a tratar com inimizade.
O texto descreve, ainda, as alianças que Jónatas reforçou com Roma e Esparta, não deixando de esclarecer que a sua segurança residia, sobretudo, no Senhor, que conhecia dos «livros santos». No entanto, como verificámos, Jónatas era um homem ambicioso e, de certa forma, oportunista. É por isso que veio a perder a liberdade, quando um tal de Trifon, que planeava apoderar-se do trono de Antíoco, o enganou. De facto, aliciando-o com terras e honrarias, conseguiu que Jónatas o seguisse com poucos homens; ao entrarem na cidade de Ptolemaida, Trifon traiu-o, prendendo-o e mandando matar os seus companheiros.
Temos assim que Jónatas prosseguiu a obra do seu irmão, conquistando para os judeus um lugar de relevo na política internacional da altura, por entender que seria a melhor forma de garantir a autonomia e liberdade do seu povo.