A narrativa prossegue em estilo bélico, em ambos os livros, exaltando os feitos guerreiros de Judas Macabeu. Assim, remete-nos imediatamente para a época da conquista da Palestina após o Êxodo e, tal como nessa altura, é valorizada por numerosas hipérboles. Como motivação inicial, é referido o facto de os povos vizinhos terem ganho inveja dos judeus, facto compreensível atendendo às suas vitórias prévias. Por isso, ter-se-iam reunido para os atacar, o que motivou a resposta dos judeus.
Em primeiro lugar, são referidos os edomitas, ou idumeus, inimigos clássicos do povo judeu e chefiados por Górgias. Num destes combates, alguns judeus deixaram-se subornar pelos gentios, o que motivou um castigo exemplar da parte de Judas Macabeu, que os mandou executar. Em seguida, os judeus combateram os amonitas, também inimigos tradicionais, e chefiados por Timóteo. Durante o combate, «apareceram do céu cinco magníficos guerreiros, montados em cavalos com freios de ouro», que contribuíram decisivamente para a vitória dos judeus. Uma vez mais, nota-se a preocupação do texto em mostrar que estas lutas eram apoiadas por Deus, e que era precisamente isso o que permitia o sucesso do Seu povo.
Guilead foi a região que Judas combateu em seguida; de facto, nesta região, encontravam-se dispersos muitos judeus, que depois dos combates foram reunidos por Judas e reconduzidos a Jerusalém. Era Timóteo quem também chefiava estes exércitos; mais uma vez, sofreu uma grande derrota causada pelos judeus, que conquistaram, entre outras, as cidades de Carnion, Efron e Citópolis. Entretanto, o seu irmão Simão conquistava a Galileia.
No entanto, o texto também dá conta de uma derrota judaica - derrota, no entanto, com uma finalidade educativa: José tinha sido designado por Judas como regente do povo enquanto andava ausente em combates, sem ter no entanto autorização para combater os gentios. Por vaidade, José decidiu desrespeitar a sua ordem, e por isso mesmo foi derrotado por Górgias - derrota que Judas viria a vingar depois. Este venceria, ainda, em Jope e Jâmnia.
A morte de Antíoco Epifânio é narrada de forma algo divergente por cada livro. Assim, ao regressar de uma derrota na Pérsia, segundo o Primeiro Livro, Antíoco «caiu de cama, doente de tristeza, e julgou morrer». O Segundo Livro desenvolve um pouco mais o contexto da morte de Antíoco, de forma a destacar o sofrimento em que esteve envolvida - e desta forma mostrar que o castigo divino não se faz esperar. Desta forma, o Senhor «feriu-o com um mal incurável», caracterizado por «dores atrozes nas entranhas» - que, ainda assim, o inflamava no ódio contra os judeus. Até que uma queda do carro conduziu à fractura dos seus membros; a doença foi piorando até que «dos seus olhos saíam vermes e as carnes caíam aos pedaços entre dores atrozes». É notória a preocupação do livro em mostrar, por um lado o seu sofrimento e, por outro, a situação humilhante em que se encontrava - «incapaz de suportar o seu próprio mau cheiro».
Ora, ambos os livros mostram como Antíoco esboçou um arrependimento e um desejo de conversão - «lembro-me de todos os males que causei a Jerusalém» e «reconheço que foi por causa disto que me sobrevieram todos estes males, e, agora, morro de tristeza numa terra estrangeira». Além disso, Antíoco «rezava ao Senhor, e pretendia dar liberdade à cidade santa; (...) finalmente, ele mesmo se tornaria judeu». Aparentemente, este arrependimento serve para dar mais força ainda ao seu sofrimento e morte. Com efeito, no Antigo Testamento, Antíoco Epifânio é aquele cujas acções anti-semitas são mais minuciosamente descritas. Com a negação da misericórdia divina, o seu castigo torna-se ainda maior - «o justo castigo de Deus pesava sobre ele».
Então, prevendo a sua morte, Antíoco Epifânio designou o seu filho, Antíoco V Eupátor, como seu sucessor, nomeando Filipe como seu perceptor e regente do reino. Ora, outras partes do texto afirmam que era Lísias afinal o regente, o que deixa transparecer um conflito latente entre estes dois homens.
Como nos devemos recordar, em Jerusalém existia uma cidadela grega, que era frequente fonte de conflitos com os judeus. Por isso Judas decidiu cercá-la; contudo, como alguns sitiados conseguiram sair, Antíoco e Lísias puseram-se a caminho de Jerusalém para combater os judeus. Entretanto, o Sumo Sacerdote Menelau juntou-se aos gregos, como forma de tentar obter as boas graças junto do novo rei. Contudo, como estes acabaram por culpá-lo dos males que sucediam, Menelau foi castigado com a morte, depois de lhe ser causado forte sofrimento. Na linha de Jasão e Epifânio, a Escritura mostra que o castigo ou recompensa de Deus não tardam.
Ao ter notícia de que o exército sírio se encontrava a caminho, Judas optou por evitar ser cercado e esperou o exército, para disputar uma batalha em campo aberto. Aqui, os textos são relativamente divergentes. Enquanto o Primeiro Livro, mais realista, afirma que o exército judeu se retirou após conseguir matar alguns sírios, receando o seu enorme número, o Segundo Livro, mais poético, fala do «triunfo» judeu. O Primeiro Livro, ao jeito grego, fala ainda dum herói, Eleázar, que quis «salvar todo o povo e celebrizar o seu nome»; para tanto, colocou-se debaixo do maior elefante dos sírios, pensando que seria o do rei, e matou-o, morrendo com esse gesto.
Em seguida, o rei Antíoco Eupátor e Lísias, que comandavam os sírios, conquistaram Bet-Sur e cercaram Jerusalém, esperando que os judeus se rendessem. De facto, a situação dos judeus era bastante penosa porque, sendo ano sabático, escasseavam as provisões. Os judeus, entretanto, iam resistindo. Como, por outro lado, se soube que Filipe se preparava para tomar o poder, os sírios decidiram retirar-se, fazendo a paz com os judeus. Assim, ficou estabelecido que os «deixariam viver como outrora, segundo as suas próprias leis». Os judeus recuperavam, então, o controlo da sua cidade, conservando a sua autonomia no seio do Reino dos Selêucidas.