O capítulo 7 descreve como Holofernes coordenou o cerco que o grande exército dos babilónios montou em volta de Betúlia. Durante trinta e quatro dias, os judeus resistiram ao cerco; no entanto, passado esse tempo - e visto que os babilónios tinham bloqueado todas as fontes de água - o povo começou a murmurar contra os chefes que tinham decidido não se render; de facto, vencido pela sede, queria fazê-lo agora. No entanto, Uzias pediu «cinco dias, durante os quais o Senhor voltará para nós a Sua misericórdia. Se no decurso destes dias a Sua ajuda não vier até nós, farei como [o povo] dizeis». Este pedido de mais tempo encontra paralelo, por exemplo, em 2 Reis 20, quando Deus concede a Ezequias, rei de Judá, mais quinze anos de vida. Mas não deixa de ser um claro sinal de fraqueza da parte de Uzias, que desta forma tenta ao Senhor para ceder à vontade do povo.
É aqui que entra a principal personagem do livro. Judite é apresentada como uma viúva abastada, «muito bonita, de aspecto agradável» e «muito temente a Deus» que, desde a morte do seu marido, vivia de forma austera. Este facto, em conjunto com a sua piedade religiosa, tornavam-na uma mulher muito respeitada.
Tirando partido deste facto, e preocupada com a decisão dos anciãos, Judite convidou-os a conversarem com ela. Num discurso de elevada beleza, Judite recorda-lhes que pecaram ao tentarem a Deus já que, se nem conhecem a «profundidade do coração do homem», muito menos conseguirão compreender os raciocínios de Deus. Por isso, enquanto o Senhor não os libertasse, deviam limitar-se a orar com fé, confiando que Este os salvaria porque, ao contrário dos tempos antigos, já não praticavam a idolatria; de facto, segundo Judite, fora isso que conduzira ao exílio dos antepassados. Em resposta, os anciãos reconhecem a verdade do discurso de Judite, defendendo-se com a grande sede que afectava o povo. Finalmente, Judite anuncia que fará «algo que será lembrado por todas as gerações» para libertar o povo, embora não diga o que seria.
Numa importante oração, Judite recorda o exemplo do seu antepassado Simeão, que vingou pela espada a desonra da sua irmã Dina. Assim, depois de exaltar o poder do Senhor, pede-lhe que «pela mão de uma mulher» consiga libertar o Seu povo - «pela mentira dos meus lábios, abate ao mesmo tempo o escravo e o príncipe». A oração termina com esta lindíssima enumeração de alguns atributos do Senhor - «tu és o Deus dos humildes, auxiliador dos oprimidos, sustentador dos fracos, protector dos abandonados, salvador dos desesperados». Temos, portanto, que uma mulher toma sobre si a missão de salvar o seu povo, contando com a ajuda de Deus.