O livro de Judite começa por contextualizar o seu episódio principal. Assim, descreve uma guerra entre Nabucodonosor II, rei da Babilónia, e Arfaxad, rei da Média, que o primeiro veio a vencer, apesar de não ter contado com a ajuda dos povos mais ocidentais, entre os quais o povo judeu. Por esta razão, e porque lhes tinha pedido auxílio militar anteriormente, Nabucodonosor quis vingar-se daquelas regiões. Para tal, enviou um exército comandado por Holofernes, que começou a ter importantes vitórias militares; como resultado, a generalidade dos povos decidiu submeter-se-lhe livremente. Contudo, o texto mostra que os judeus, «preocupados com a sorte de Jerusalém e do templo do Senhor, seu Deus», começaram a preparar-se para a guerra. Além do medo de voltarem novamente para o cativeiro, confortava-os o facto de terem terminado recentemente as colheitas. Assim, depois de terem montado emboscadas, chefiados pelo sumo sacerdote Joaquim, os judeus «humilharam-se com muitos jejuns», e «clamaram em uníssono» implorando a ajuda do Senhor. Segundo o texto, Este «ouviu a sua oração e olhou com bondade para a sua aflição».
O capítulo 5 é interessante porque contém um resumo, apresentado por Aquior ao seu rei Nabucodonosor, descrevendo a história do povo israelita. Esta narração é bastante abonatória para os judeus, que são apresentados como vencedores de todas as batalhas enquanto mantiveram a sua fé. «Mas, quando se afastaram do caminho que Ele lhes indicara, viram-se derrotados e foram deportados para uma terra estrangeira». É tendo isto em conta que Aquior avisa Nabucodonosor que só valia a pena combater Israel se o povo tivesse pecado; de contrário, «o Senhor defendê-los-ia». Naturalmente, estas palavras não agradaram aos babilónios, que por isso quiseram vingar-se de Aquior; assim, Holofernes decidiu entregá-lo aos judeus, para que perecesse conjuntamente com eles. Aquior foi abandonado perto de Betúlia, cujos habitantes, chefiados por Uzias, o acolheram, depois de conhecerem as intenções dos babilónios.