Após a oração, Judite vestiu-se de forma festiva, como nos tempos de casada, o que permitia realçar a sua beleza. Com a sua serva, saiu de Betúlia e dirigiu-se ao acampamento dos babilónios, que a interrogaram; Judite afirmou ser uma desertora judaica, que se entregava aos babilónios para ser salva, oferecendo-se para os ajudar a conquistar Betúlia. Fascinados pela sua beleza, aqueles conduziram-na para junto de Holofernes que, quando a viu, também ficou «maravilhado».
A este, Judite repetiu a história de que se vinha entregar, acrescentando que os judeus estavam prestes a cometer um grande pecado - e que, por isso, seriam facilmente derrotados. Ainda assim, é de notar que Judite nunca aponta fraqueza militar aos judeus; muito menos põe em causa o poder do Senhor. Antes, afirma que tudo acontecerá para glorificar o Seu nome, e que assim puniria o pecado do Seu povo. Mais, Judite dispôs-se a sair todos os dias para rezar, e saber quando a cidade deveria cair - «permaneceu três dias no campo. Durante a noite, banhava-se na nascente do vale de Betúlia». Aqui, é de notar a beleza desta descrição, e toda a atmosfera mística que ela envolve.
Ora, para Holofernes, seria um grande fracasso não possuir Judite. Por isso, aquele determinou dar um banquete para o qual a convidou. Tendo Judite aceite, Holofornes bebeu excessivamente como forma de regozijo - «mais do que alguma vez bebera em qualquer outro dia». Por isso, mal chegou à sua tenda, ficou «estendido sobre a cama, vencido pelo vinho». Aproveitando-se desta situação, Judite tinha as condições reunidas para concluir a sua missão. Depois de orar pela «glorificação de Jerusalém», «pegou na espada de Holofernes e golpeou-o no pescoço duas vezes, com toda a sua força, e cortou-lhe a cabeça». Esta descrição macabra é uma boa forma de exaltar a valentia de Judite; por sua vez, o facto de Holofernes ter sido morto à traição é compreensível, visto não ser de esperar um confronto directo entre uma mulher e um homem.
De qualquer forma, Judite tomou a cabeça de Holofernes, guardou-a e saiu com a sua serva, como se fosse rezar. No entanto, foi até Betúlia, para partilhar a boa notícia: «vede a cabeça de Holofernes: o Senhor atingiu-o por meio de uma mulher». Acrescenta, ainda, que tudo aconteceu «sem que ele tivesse cometido pecado comigo, não me tendo contaminado nem envergonhado». Note-se a importância dada por Judite, e pelo próprio texto, à sua dignidade. Finalmente, em representação do povo, Uzias saudou Judite da seguinte forma: «Bendita sejas tu, filha, pelo Deus altíssimo, mais do que todas as mulheres sobre a terra». É evidente o paralelismo com a saudação de Isabel a Maria, «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre»; de facto, na salvação terrena que Judite realizou, prefigura-se a Salvação eterna em que Maria participaria.