A parte final do livro descreve como toda a história se resolveu em bem. Ao ver o filho Tobias a chegar, Ana exclamou «Volto a ver-te, meu filho. Agora já posso morrer». Quanto a Tobite, Tobias seguiu as instruções do anjo, derramando-lhe sobre os olhos o fel do peixe, e Tobite tornou a ver («Vejo-te, filho, tu que és a luz dos meus olhos»), bendizendo a Deus, «Bendito seja Deus e bendito o Seu grande nome! Benditos os Seus santos anjos!». Quando Sara chegou a Nínive, Tobite acolheu-a como nora, e voltaram a celebrar-se bodas, desta vez com os familiares de Tobias.
Tem lugar, no capítulo 12, a revelação do anjo; num belo discurso, este começa por louvar o Senhor e fazer a apologia da «oração feita com verdade» e «esmola acompanhada pela justiça». Em seguida, apresenta-se como Rafael, «um dos sete anjos que apresentam a oração dos justos e têm lugar diante da majestade do Senhor», falando da sua missão e da sua acção junto de Tobias. Este texto é importante, sobretudo, por aquela descrição sintética da natureza dos anjos. De facto, o anjo está junto da majestade do Senhor, que o envia para desempenhar uma determinada missão; neste caso, esta foi «pôr a fé de Tobite à prova», para depois o recompensar pela fé mantida.
No capítulo 13, o texto apresenta um cântico atribuído a Tobite, que consta de duas partes principais. Na primeira, Tobite louva o Senhor, interpretando o que lhe acontecera à luz da história do povo israelita, «castiga-vos por causa das vossas iniquidades, mas, a seguir, compadece-se de vós»; assim, associa o seu infortúnio ao que o povo passava no exílio, deixando prever uma possibilidade de redenção. Na segunda parte, esse louvor a Deus é elevado por uma linguagem profética, tomando como tema a restauração de Jerusalém, «qual luz brilhante, hás-de refulgir até às extremidades da terra» e «ditosos aqueles que te amam». É o cumprimento daquela promessa de redenção, e um sinal de esperança, que o livro deixa aos seus leitores - sendo, desta forma, o corolário moral de toda a história de Tobite, transportando a sua salvação pessoal para a de toda a humanidade, «os habitantes dos confins da terra adorarão o Teu Santo Nome».
Finalmente, o capítulo 14 constitui uma espécie de testamento de Tobite, que retoma, em prosa, alguns dos temas do capítulo anterior. Além disso, exorta vivamente Tobias a ir viver para a Média quando aquele, e sua esposa, viessem a falecer, já que previa a destruição de Nínve. Cumprindo os desejos do seu pai, foi isso que Tobias fez, indo viver para casa do seu sogro Raguel; quando este faleceu, herdou também os seus bens e soube que a previsão do seu pai estava correcta, já que os habitantes de Nínive tinham sido deportados.
Abrantes, 3 de Outubro de 2009