2009-03-13

Restauração do Templo (3 - 6)

Estando os judeus já estabelecidos, «reuniram-se em Jerusalém, como se fossem um só homem», para se iniciar a reconstrução do templo, sob a chefia de Jesua e Zorobabel. Para tal, começou por se «reconstruir o altar sobre as antigas bases», onde desde o início se passaram a «oferecer holocaustos, como prescrevia a lei de Moisés» - e onde, aliás, se celebrou logo a festa dos Tabernáculos.
Depois disso, foram contratados «canteiros e carpinteiros», e comprados materiais de construção (nomeadamente, «cedros do Líbano») para que a reconstrução do templo tivesse início. Uma primeira celebração teve lugar quando se concluiu as fundações do novo edifício. Nesta ocasião, «alguns sacerdotes, levitas e chefes de família já idosos, que tinham visto o primeiro templo, choravam em voz alta, ao presenciar o lançamento dos alicerces do novo edifício». Por esta descrição dramática - compreensível se atendermos às duras circunstâncias das deportações - se vê a importância e o alcance deste acontecimento no contexto de toda a história vétero-testamentária. De facto, a reconstrução do templo é símbolo do regresso da Babilónia, do final desse exílio e do cumprimento das promessas de Deus.
Os capítulos seguintes dão conta, no entanto, das grandes dificuldades experimentadas na prossecução dessa obra. De facto, por acção dos «inimigos de Judá e de Benjamim», e com a concordância dos reis da Babilónia, a reconstrução do templo e das próprias muralhas de Jerusalém esteve interrompida por bastante tempo - apesar dos esforços dessenvolvidos pelos profetas Ageu e Zacarias. O texto inclui alguns documentos históricos, como uma carta ao rei Artaxerxes I acusando os judeus de estarem a reconstruir uma cidade que fora perigosa para a Babilónia, ou um relatório dos governadores dando conta das motivações dos anciãos judeus e pedindo informações ao rei Dario, que governava nessa altura. Em resposta a este último relatório, foi descoberto o édito de Ciro, o qual levou o rei a autorizar a conclusão da reconstução - «Deixai continuar os trabalhos do templo de Deus». Nesta autorização, o rei Dario fez saber, ainda, que a reconstrução do templo e manutenção do culto seriam apoiadas pelo património real - uma atitude de tolerância comparável à do rei Ciro.
Em cumprimento destas ordens, o templo veio a ser efectivamente concluído, procedendo-se à sua dedicação solene, tal como fora feito para o tabernáculo (Êxodo 40) e para o templo de Salomão (1 Reis 8); em seguida, foi celebrado o ritual da Páscoa e da festa dos Ázimos. Além de reforçar a natural importância religiosa e histórica que a conclusão do segundo templo assumiu, o texto tem, ainda, um apontamento de tolerância para os estrangeiros convertidos, um pouco em oposição à linha do restante livro: «Os filhos de Israel comeram a sua Páscoa com todos aqueles que, afastando-se das práticas impuras dos povos da região, se uniram a eles para seguirem o Senhor, Deus de Israel».