De acordo com a edição, este grupo de capítulos denomina-se Apocalipse que, como já foi referido, significa «revelação». No entanto, cabe aqui fazer uma distinção entre o significado desta revelação e o das restantes profecias - que, à primeira vista, também constituiriam revelações. Efectivamente, a revelação deste Apocalipse, tal como no caso do livro homónimo, associa-se mais a uma visão do que a uma descrição de acontecimentos futuros, como nas profecias. Naturalmente, essa visão no presente leva-nos também para acontecimentos futuros.
Isto é evidente, desde logo, na forma como começa a secção: «Vede como o Senhor devasta a terra e a torna deserta». Depois, o capítulo prossegue com imagens descritivas desta desolação, terminando com uma referência ao «julgamento» feito pelo Senhor. «Naquele dia, o Senhor julgará os exércitos do céu, e cá em baixo, os reis da terra. (...) O sol empalidecerá, quando o Senhor do universo reinar glorioso no monte Sião» - tal como na secção anterior, temos aqui uma referência ao Dia do Senhor, com o seu carácter judicial.
No capítulo seguinte, tem-se em primeiro lugar um cântico de acção de graças, no qual se cantam as maravilhas do Senhor, tantas que até «a capital dos povos tiranos O respeita». Em seguida, tem-se um texto de forte carácter messiânico, que tem um banquete como tema central: «No monte Sião, o Senhor do universo prepara para todos os povos um banquete de carnes gordas». Como se terá oportunidade de verificar, a temática do banquete é bastante importante, nomeadamente nos Evangelhos - Jesus Cristo utilizou uma parábola segundo a qual «o Reino do céu é comparável a um banquete...»; além disso, a Eucaristia foi instituída sob a forma dum banquete. Por agora, fica claro que o banquete é um importante símbolo da comunhão e da alegria entre Deus e o Seu povo. Nesta texto, referência ainda para duas passagens que podem, definitivamente, ser prefigurações dos acontecimentos futuros, e que reforçam o carácter seu messiânico. Em primeiro lugar, «neste monte, Ele arrancará o véu de luto, que cobre todos os povos»: poderá ser uma referência ao véu do templo, rasgado aquando da morte de Jesus. Em segundo lugar, «Aniquilará a morte para sempre» - aqui, mais uma alusão à morte de Jesus, que permitiu dar a vida e a salvação a todos os homens.
Até ao fim desta secção, os textos apresentam um conjunto de profecias que nos remetem para a salvação do povo, exaltando a confiança no Senhor. São de destacar, além de algumas imagens bastantes expressivas - como «A minha alma suspira por ti [Senhor] de noite, e do mais profundo do meu espírito eu te procuro pela manhã» -, uma das primeiras alusões à ressurreição, duma forma ainda muito incipiente neste caso. De facto, depois de se manifestar a impotência do povo judeu («Nós concebemos, sofremos dores de parto, e o que demos a luz foi vento. Não demos a salvação ao nosso país»), refere-se: «Os teus mortos reviverão, os seus cadáveres ressuscitarão. Despertai e rejubilai, vós que jazeis no sepulcro». Pelo tom e pelo contexto, pode afirmar-se que se trata duma referência à ressurreição do fim dos tempos, descrita no Apocalipse de S. João. Até esse dia chegar, porém, «Esconde-te por um momento, até que passe o castigo» - convite que se pode associar ao período entre a morte e a ressurreição de Cristo.
Depois de uma nova alegoria da vinha, comparável à do capítulo 5, esta secção termina com a visão de Jerusalém restaurada («Dias virão em que Jacob lançará novas raízes, Israel produzirá botões e flores e encherá o mundo de seus frutos»), a qual é contraposta à destruição dos povos pagãos («é como mansão abandonada, despovoada como um deserto»). Finalmente, nova alusão ao fim dos tempos: neste caso, surge a primeira referência à trombeta, que desempenhará um importante papel simbólico no livro do Apocalipse. De facto, esta marca o dia do Senhor, o qual se associa, neste caso, à reunião de toda a diáspora israelita; «nesse dia, o Senhor debulhará as espigas, desde o Eufrates à torrente do Egipto» - o que mostra, uma vez mais, a dimensão de julgamento do dia do Senhor.