2007-08-17

Tola, Jair, Jefté, Ibsan, Elon e Abdon (10 - 12)

JuízesDepois de Abimelec, os chefes dos israelitas foram Tola e Jair, cujos governos o texto não desenvolve. Há apenas a referência, interessante, ao facto de os trinta filhos de Jair «montarem em trinta jumentinhos». E o interesse disto provém do facto de aqui surgir o jumento como símbolo de realeza, tal como já o fora no cântico de Débora; Zacarias profetizará que o rei de Israel haveria de regressar «justo e vitorioso, humilde, montado num jumentinho». Jesus cumpriu esta profecia com a sua entrada messiânica em Jerusalém.
Depois de novos pecados e submissão por parte de amonitas e filisteus, o povo voltou a clamar ao Senhor. Ora, para organizar a revolta, o povo - nomeadamente os de Manassés na Cisjordânia - chamou Jefté. Convém referir que este Jefté fora expulso de casa pelos próprios irmãos, devido ao facto de a sua mãe ser uma prostituta; para sobreviver, ele organizava pilhagens com um bando de maltrapilhos. Foi, provavelmente, devido à valentia manifestada nesse tempo que o foram chamar, tendo Jefté aceite tormar-se chefe do povo.
Depois de tentar negociar a paz com o rei dos amonitas, sem o conseguir, Jefté reuniu um exército para o combater. Para tal, fez um voto estranho: se vencesse, ofereceria «ao Senhor» em holocausto a primeira pessoa que saísse de sua casa. Com efeito, esta é a única vez em todo o Antigo Testamento que alguém toma a iniciativa de oferecer um ser humano em holocausto. Mesmo no caso de Abraão, fora Deus Quem tomara a iniciativa, e esta não se concretizou. Isto porque sempre foram violentamente condenados os sacrifícios humanos, como vem descrito no Pentateuco. Desta forma, a única razão que pode explicar este caso tem a ver com as práticas dos povos vizinhos; estes, sim, ofereciam sacrifícios humanos. Por outro lado, este caso mostra já um profundo grau de corrupção religiosa em Israel, já que mesmo os chefes nacionais desconhecem os seus princípios mais básicos. Naturalmente, este voto não teve valor para o Senhor.
Tendo Jefté vencido os amonitas, teria de cumprir o voto; ora, a primeira pessoa que viu a sair de sua casa foi a sua própria filha. Num momento de dramatismo acentuado, Jefté disse à sua filha que teria de cumprir a promessa. Esta resignou-se, tendo pedido apenas para «ir para os montes durante dois meses a fim de chorar a sua virgindade»; o pai concedeu. Esta ideia de «chorar a virgindade» é coerente com a mentalidade que vigorava: uma grande descendência era uma bênção, e a sua ausência, uma maldição. Segundo o texto, isto esteve na origem de um costume israelita, em que «uma vez ao ano, as donzelas se juntavam para chorar durante quatro dias a filha de Jefté».
A intervenção de Jefté ficou, ainda, marcada por um conflito interno do restante povo israelita com a tribo de Efraim. De facto, quando organizou o combate contra os amonitas, Jefté não incluiu membros de Efraim; já é a segunda vez em que esta tribo é posta à parte pelas restantes, o que poderá denotar uma certa fala de união, que haveria de conduzir, posteriormente, à divisão do reino.
O texto menciona, finalmente, os governos de Ibsan, Elon e Abdon, sem os desenvolver.