2007-08-31

O santuário ilegal (17 - 18)

Como que em anexo às histórias dos juízes, surgem, no livro, duas narrativas que são reveladoras do estado de corrupção a que os israelitas tinham chegado antes da implantação da monarquia. Este primeiro anexo conta a construção de um santuário alternativo por parte do efraimita Miqueias, instado por sua mãe. Para tal, ele desafiou um levita a ir prestar culto no seu santuário, o que foi aceite. Entretanto, os danitas tomaram a iniciativa de explorar o território onde vivia Miqueias, uma vez que ainda não se tinham estabelecido. Quando observaram o levita a prestar culto naquele santuário, pediram-lhe que os seguisse, para passar a prestar culto para uma tribo inteira e não apenas para um homem. O levita aceitou, e Miqueias não teve força para se opor ao exército danita.
Os danitas, então, depois de algumas conquistas, acabaram por estabelecer o santuário, que tinham retirado a Miqueias, na cidade de Silo; os descendentes de Jónatas, filho de Gerson e neto de Moisés, ficaram a servir como sacerdotes. Esta narração tem alguma importência porque relata a construção de um santuário que se manteria ao longo da história dos israelitas, e que ficou a funcionar como sede de um culto cismátido, já que Deus não quis, de todo, a sua construção. A sua existência viria a ser a causa de vários conflitos e divisões entre os israelitas, mostrando que a unidade e centralidade do culto era essencial à coesão do povo.