O início do Livro dos Juízes continua o de Josué e dá uma prespectiva do que será história desses juízes. Deste modo, começa por descrever as conquistas que se seguiram à morte de Josué, recordando, também, a conquista da cidade de Caleb; contudo, refere frequentemente que muitos dos povos habitantes nos territórios das tribos não foram expulos, ainda que alguns tenham sido feitos tributários. Este facto, por ser talvez devido à preguiça, motivou o envio de um anjo com a missão de repreender o povo. De facto, este não estava a cumprir a aliança, pela qual se comprometera a destruir todos os povos habitantes em Canaã e respectivos altares; como castigo, disse esse anjo, «Deus não expulsaria esses povos, ficando como armadilha para os israelitas». Isto é, eram uma forma de Deus testar a fidelidade do Seu povo.
Ora, depois da morte de Josué e de toda a geração que tinha atravessado o Jordão e participado nas conquistas de Canaã, «sucedeu-lhe outra que não conhecia o Senhor nem a obra que Ele tinha feito em favor de Israel»; esta geração «praticou o mal na presença do Senhor, e serviu aos Baals» (refira-se que por Baal se designa qualquer deus pagão); por isso, «o Senhor encolerizou-Se contra Israel e entregou-os» aos seus inimigos. Então, «o Senhor suscitou juízes que os libertaram» mas, após a sua morte, «tornavam logo a corromper-se», «servindo aos deuses pagãos e tomando por mulheres as filhas dos povos vizinhos». É precisamente sobre este ciclo de acontecimentos, tantas vezes repetido ao longo da história israelita, com juízes ou outros líderes, que se debruça o livro dos Juízes, dando relevo a alguns destes em particular.