2008-09-04

Pequeno Apocalipse (34 - 35)

Quase a encerrar a primeira parte do livro de Isaías surge, em dois pequenos capítulos, aquilo que a edição denomina «pequeno apocalipse». O primeiro capítulo descreve a «ira» de Deus «contra todas as nações», que depois Edom representa por sinédoque. Na materialização dessa ira, aparece como primeiro elemento simbólico a «espada do Senhor»; esta, «cheia de sangue, «impregnada de gordura», é a que opera a «carnificina» sobre os povos estrangeiros. Como é habitual, nestes casos, não se nomeiam os motivos dessa ira, mas tudo leva a supor que estes são as práticas idolátricas e o facto de a maioria dos povos estrangeiros ser inimiga de Israel. Esta ideia é reforçada porque se acrescenta, adiante, que «é o dia da vingança do Senhor, ano de desforra para a causa de Sião».
Apontou-se, atrás, a espada como elemento simbólico nesta naração; de facto, estes elementos têm uma elevada importância na sua progressão, e constituem um bom exemplo do estilo apocalíptico. O fogo, então, representado pelo «enxofre» e «pez ardente», consubstancia a vingança referida. Aliás, «a corda de destruição e o fio-de-prumo da desolação» também reforçam o alcance dessa vingança, já que são dois elementos simbólicos para representar o castigo de Deus. Finalmente, para completar o cenário de destruição, descrevem-se as cidades estrangeiras como «covil de chacais», com «espinhos crescendo nos palácios» e «urtigas e cardos nas fortalezas».
A contrastar com este oráculo, o capítulo seguinte descreve as bênçãos de Deus ao seu povo: «Eis o vosso Deus, que vem para vos vingar. Deus vem em pessoa retribuir-vos e salvar-vos». Se relacionarmos esta «vinda em pessoa» com os prodígios que são apresentados («os ouvidos do surdo ficarão a ouvir», etc.), não é dificil vermos aqui já uma alusão à vinda de Cristo. Aliás, a parte final do capítulo fala duma «Via Sagrada», pela qual «nenhum impuro passará». Embora seja um pouco forçado, não é impossível associarmos esta passagem à alegoria evangélica da «porta estreita».