O Segundo Livro de Samuel começa com um outro relato sobre a morte de Saul, segundo o qual, depois de se atirar sobre a espada, Saul continuou a viver, pelo que pediu a um amalecita para o matar. Este fê-lo e, retirando «o diadema que ele tinha na cabeça e o bracelete do seu braço», foi entregá-los a David, esperando, naturalmente, que este o recompensasse. A reacção de David, contudo, foi de uma profunda tristeza, até porque, com Saul, tinha morrido também Jónatas. Por isso, David mandou que matassem o amalecita, já que este «levantara a sua mão para matar o ungido do Senhor». A preocupação do texto é, naturalmente, a de reafirmar o grande respeito que David tinha por Saul, de forma a que aquele fosse visto, não como usurpador, mas como um sucessor de pleno direito. A propósito da morte de Saul, o texto atribiu a David uma elegia bastante bela.
Ora, depois de consultar o Senhor, David decidiu ir até Hebron; nessa cidade, «ungiram David como rei de Judá». Discordo da palavra unção neste passo; de facto, David já fora ungido, anteriormente, por Samuel. Assim, creio que o que se verificou consistiu mais numa aclamação, tendo David começado a reinar - ainda que só sobre a tribo de Judá. Os capítulos posteriores, portanto, relatam a acção de David como rei, bem como a unificação de todo o território israelita sob o seu domínio.