2007-07-14

Divisão do território pelas tribos (13 - 21)

Depois de terminadas estas primeiras conquistas, o Senhor disse a Josué que faltava ainda muito para conquistar. É por isso que Ele lhe manda que divida todo o território da Cisjordânia pelas tribos, para que estas conquistem o que falta da sua parte. Recordemos que as tribos de Rúben, Gad, e metade da de Manassés já tinham território na Transjordânia, mas deveriam auxiliar militarmente as outras tribos. O texto recorda, então, a divisão desse território da Transjordânia.
O capítulo 14 descreve a atribuição de Hebron à pessoa do judeu Caleb. Esta atribuição ocorre em cumprimento de uma promessa do Senhor que não vem referida no texto sagrado, mas de qualquer forma parece que Deus tinha prometido a Caleb e a Josué a atribuição a título particular de uma cidade a cada um. Isto deve-se, recordemos, ao facto de estes terem sido os únicos a permanecer fiéis durante a travessia do deserto, sendo, também, os únicos que sobreviveram a ela por completo. Assim, a Caleb foi atribuída Hebron e, a Josué, Timnat-Sera, no território eframita, de acordo com o capítulo 19.

A divisão prossegue pelas tribos de Judá, Efaim, a metade de Manassés que ficava na Cisjordânia, Benjamim, Simeão, Zabulão, Issacar, Aser, Neftali e Dan, por esta ordem. Ao lado pode ver-se um mapa que propõe essa divisão, e que me parece geralmente correcto atendendo aos nomes das cidades referidos na Bíblia.
A respeito dessa divisão, faço algumas observações. Em primeiro lugar, reforço que esta divisão referia-se, frequentemente, a territórios «por conquistar», pelo que seria responsabilidade de cada tribo tomar a posse deles. No entando, o texto refere que isso nem sempre foi possível, pelo que os povos nativos ficavam a viver com os israelitas, frequentemente como tributários. Esta convivência veio a ser a causa de vários conflitos posteriores. Em segundo lugar, importa esclarecer que os territórios das tribos de Benjamim e Simeão ficavam situados «no meio» de Judá, o que explica a progressiva absorção das duas tribos menores pela de Judá, mais numerosa. Isto seria, também, a base do futuro Principado de Judá, no tempo dos Reis. Finalmente, refiro a transferência do santuário de Guilgal (território de Benjamim) para a cidade de Silo, pertencente à tribo de Efraim. Ao que parece, neste tempo, a cidade onde estava situado o santuário funcionava como uma espécie de capital, donde também partiam os combatentes para as conquistas.
Neste ponto, faltava, apenas, a atribuição aos levitas das respectivas cidades. Tal como é afirmado frequentemente no Pentateuco, aos levitas não estava reservado qualquer território em concreto, mas apenas cidades no território de outras tribos, atendendo à sua função sacerdotal. Deste modo, cada tribo cedeu algumas cidades do seu território às famílias levíticas: Aarão (Benjamim, Judá e Simeão), Caat (Efraim, Dan, e Manassés na Cisjordânia), Gerson (Issacar, Aser, Neftali e Manassés na Transjordânia) e Merari (Ruben, Gad e Zabulão). Finalmente, parte das cidades levíticas estava destinada a servir de cidade de refúgio, cuja função era a de proteger os homicidas involuntários da vingança de sangue, em que os familiares do defunto procuravam vingar a sua vida. É um princípio de humanidade, já comentado no contexto da sua instituição em Números.