2007-07-01

Conquista de Ai (7 - 8)

Em contraste com a conquista de Jericó, a conquista de Ai é um exemplo de como a desobediência ao Senhor pode ser a causa de desgraça para o povo. Com efeito, a narração começa logo por referir que o judeu Acã se apoderou de alguns despojos em Jericó que, como foi referido, tinham sido votados ao anátema. Ainda assim, Josué enviou alguns exploradores a Ai, que lhe disseram que era uma cidade fraca, pelo que poucos homens bastariam para a conquistar.
No entanto, esse destacamento foi derrotado - o que, depois da conquista de Jericó, fez baixar a confiança popular. Foi por isso que Josué, em oração, desafia Deus a auxiliar o Seu povo, para que o Nome divino não ficasse desacreditado entre as nações. Então, Deus informou Josué que a derrota se deveu a uma violação do anátema, pelo que quem o cometeu deveria ser «queimado, ele e tudo o que lhe pertence».
Foram lançadas sortes para determinar quem cometera o crime, tendo-se verificado que fora Acã; o reconhecimento da sua culpa sob Josué pode considerar-se uma prefiguração remota do sacramento da Penitência. Assim, Josué disse a Acã: «Meu filho, dá glória ao Senhor e rende-Lhe homenagem. Confessa-me o que fizeste, sem calar nada», o que aparenta ser dito num tom paternal, até carinhoso. Verifica-se, então, que a confissão exige duas coisas: reconhecer a Deus, e recordar todo o pecado cometido. Neste caso, Acã confirmou que roubou alguns materiais valiosos.
Ora, a seguir à confissão segue-se a penitência - e é interessante verificar que já aqui estas duas acções surgem associadas. De acordo com a vontade de Deus, Acã foi punido com a morte. Esta é a forma maior de penitência, a única que liberta dos pecados mais graves - pelo que Cristo a sofreu expiando os pecados dos homens. Tal como referido em momentos anteriores, estas medidas drásticas tinham como intenção preservar a pureza do povo israelita.
Estando o povo purificado, Deus ordenou a Josué que preparasse uma emboscada para conquistar a cidade de Ai. Num tom de crónica de guerra, a Escritura relata que a cidade foi efectivamente conquistada, com grande sucesso dos israelitas. Ao contrário do que se passara em relação a Jericó, os israelitas puderam repartir entre si os bens do saque; enfim, o rei da cidade foi morto. Faço, ainda, uma observação acerca de um gesto simbólico de Josué: enquanto durou a conquista, tinha um dardo levantado na mão.
Depois desta conquista, e em cumprimento do que vem referido em Deuteronómio 27, Josué mandou erguer um altar sobre o monte Ebal, em cujas pedras «escreveu Josué uma cópia da Lei». Isto mostra que, deste momento em diante, considera-se que Deus cumpriu a Sua promessa de dar Canaã aos israelitas. Em seguida, fez-se uma leitura integral da Lei - «De tudo o que Moisés havia prescrito, nem uma palavra se omitiu» - como forma de reconhecimento pelas bênçãos concedidas por Deus.