Depois da morte de Josias às mãos do faraó, Joacaz sucedeu-lhe no trono. No entanto, foi deposto pouco depois pelo faraó, que além disso tornou o país tributário, exigindo uma pesada contribuição. Em lugar de Joacaz, o faraó nomeou rei o seu irmão Eliaquim, a quem mudou o nome para Joaquim; com isto, pretendia mostrar que este lhe devia obediência.
Durante o seu reinado, também censurado pelos textos, o rei Nabucodonosor da Babilónia derrotou o faraó do Egipto na batalha de Carquémis. Desta forma, a Judeia passou para os seus domínios. De referir que a Babilónia conquistara a Assíria, pelo que o antigo território de Israel também pertencia àquele país. Depois da morte de Joaquim, sucedeu-lhe o seu filho Joiaquin; no sei reinado, Nabucodonosor sitiou Jerusalém e, além de prender Joiaquin, também deportou uma parte da população, nomeadamente os chefes e artesãos. Por outro lado, nomeou rei Matanias, a quem deu o nome de Sedecias.
Este foi o último rei de Judá. Segundo o texto, tentou revoltar-se contra Nabucodonosor; como resultado, o rei da Babilónia cercou Jerusalém, que veio a cair dois anos depois. O texto descreve com grande frieza os acontecimentos posteriores. O rei Sedecias foi capturado, e Nabucodonosor «degolou os filhos na sua presença, furou-lhe os olhos e levou-o para a Babilónia»; os edifícios da cidade foram destruídos; e os restantes judeus com algum poder que viviam em Jerusalém foram deportados; «O chefe da guarda só deixou ali alguns pobres para cultivarem as vinhas e os campos»; o templo foi destruído e saqueado; os mais importantes da cidade foram mortos.
O texto refere, ainda, que Nabucodonosor nomeara Godolias para governar os poucos que ficaram; contudo, depois de uma tentativa de revolta, também estes tiveram de fugir para o Egipto. O texto das Crónicas, em jeito de reflexão final, diz que os judeus ficaram na Babilónia, «como escravos, até ao começo da dominação persa. Assim se cumpriu a profecia que o Senhor pronunciara pela boca de Jeremias: "Até que o país desfrute dos seus anos sabáticos"». Esta reflexão, reduzida quando comparada com a relativa à deportação dos Israelitas, é ainda assim muito clara quanto aos ensinamentos globais destes livros: o povo violou sistematicamente a aliança com o Senhor, ignorou os avisos que Este lhe fez, e como resultado foi privado do seu território e reduzido à escravidão. No entanto, Deus é um deus «bondoso e compassivo»; por isso, o texto acaba com o édito de Ciro, segundo o qual os judeus podiam regressar a Jerusalém, o que há-de ser desenvolvido no livro de Esdras.
Abrantes, 7 de Junho de 2008