2008-05-23

Josias (21 - 23,30 ; 33 - 35)

Depois do reinado do justo Ezequias, reinaram sobre Judá Manassés e Amon, que praticaram a injustiça e a idolatria; este último foi mesmo assassinado pelos próprios servos. Assim, sucedeu-lhe o filho Josias, cujo reinado veio marcar a última reforma religiosa antes de os babilónios conquistarem a Judeia. As suas primeiras acções, tal como as de Ezequias, consistiram na destruição dos ídolos e na reconstrução do templo do Senhor. No decorrer desta reconstrução, foi encontrado «o Livro da Lei», que o Sumo Sacerdote Hilquias apresentou a Josias. De acordo com a Edição, este Livro da Lei consistia no Livro do Deuteronómio; na verdade, em termos históricos, julga-se que este livro deverá ter tido uma redacção tardia, contemporânea do reinado de Ezequias, o que fará sentido se tivermos em conta a reforma realizada por este rei.
Ao ouvir a sua leitura por um escriba, o rei «rasgou as suas vestes» e ordenou que consultassem o Senhor, pois verificou que a generalidade dos preceitos enunciados não estava a ser cumprida - «grande é a ira do Senhor, pois os nosso pais não cumpriram a Sua palavra». A profetisa Hulda (caso raro em que esta missão é atribuída a uma mulher) revelou que o Senhor iria realmente castigar Judá pelas suas infidelidades. Contudo, em atenção à fé de Josias, este seria «reunido a seus pais e sepultado em paz no seu sepulcro»; é interessante verificar, aqui, que a decisão de Deus era já tão definitiva que a hipótese de voltar a perdoar Judá em atenção ao seu chefe não se coloca.
Ainda assim, Josias decidiu empreender uma importante reforma religiosa. Esta começou com uma leitura solene do Livro da Aliança; em seguida, o rei renovou a aliança «segundo a qual se comprmetia a seguir o Senhor, a guardar os seus mandamentos, de todo o seu coração e com toda a sua alma, cumprindo todas as palavras da aliança escritas nesse livro». O povo, uma vez mais seguindo o seu rei, também concordou. Depois, Josias decidiu celebrar uma grande festa de Páscoa, «jamais se celebrou Páscoa como aquela». O texto das Crónicas, em especial, dá um grande ênfase à celebração desta Páscoa, e à sincera adesão de todos os judeus.
Este terá sido o último suspiro dos judeus enquanto povo independente. De acordo com os planos de Deus, Josias veio a morrer, depois, na Batalha de Meguido, às mãos do faraó Necao, devido a uma imprudência sua. O fim do principado de Judá estava, assim, à vista, como se verá pelos acontecimentos posteriores.