Depois da relativa prosperidade durante os reinados de Jeú e dos seus descendentes, o Reino de Israel entrou, definitivamente, em declínio. A Zacarias sucederam, por uma série de assassinatos e usurpações, Chalúm, Manaém, Pecaías, Pecá e Oseias. Durante o reinado destes tornava-se evidente uma crescente sujeição à Assíria, que no reinado de Pecá fez mesmo uma deportação dos israelitas.
De qualquer forma, no decorrer do reinado de Oseias, o rei Salmanasar da Assíria fez de Israel um reino tributário. Mais tarde, a pretexto de uma conspiração e do não pagamento do tributo, Salmanasar mandou prender Oseias e cercar a cidade de Samaria, que veio a capitular. A generalidade dos israelitas foi deportada para outras regiões da Assíria, como forma de prevenir eventuais sublevações. «Isto aconteceu porque os filhos de Israel pecaram contra o Senhr, seu Deus, que os libertara da opressão do Faraó. Adoraram outros deuses e seguiram os costumes das nações que o Senhor expulsara.» É desta forma que o texto inicia uma meditação acerca da ruína do Reino de Israel. De facto, como é perfeitamente evidente pelos textos anteriores, a causa principal reside na idolatria; tal idolatria é tanto mais grave porque manifesta uma incrível falta de fidelidade para com a aliança que Deus estabelecera por meio de Moisés. A respeito dessa idolatria, o texto apresenta uma imagem muito interessante: «foram atrás das coisas vazias, e eles próprios se tornaram vazios como os povos que os rodeavam». De facto, é importante reter esta associação - na falta de Deus, reina o vazio interior. O texto recorda, ainda, o desprezo a que Israel votou os seus profetas; tal como estes anuciaram, Deus serviu-se dos seus inimigos para castigar os israelitas.
Finalmente, é descrita a origem dos povos nomeados, subsequentemente, como samaritanos. De acordo com o texto, o rei da Assíria mandou para a Samaria povos deportados de outras regiões do seu reino; possivelmente, estes fundiram-se com alguns israelitas que ficaram apesar da deportação. Apesar da presença de sacerdotes israelitas, o texto dá conta dum sincretismo religioso, «aqueles povos adoravam o Senhor e, ao mesmo tempo, prestavam culto aos seus próprios deues». É, portanto, evidente a crítica que o autor sagrado faz aos samaritanos, e que explica a desconfiança com que estes são olhados por parte dos judeus, ainda no tempo de Jesus Cristo.