A decisão de David construir um templo ao Senhor, segundo o texto, vem na sequência do sacrifício que ofereceu para aplacar a Sua cólera. De facto, como a arca da Aliança não tinha ainda localização estável, não estava em Jerusalém, e David teve medo de se deslocar. Por isso, decidiu construir ali mesmo «a casa do Senhor Deus e o altar dos holocaustos para Israel». Contudo, Deus fê-lo saber que não seria ele a construir o templo, mas antes o seu filho Salomão. Aliás, surge aqui pela primeira vez Salomão como o sucessor de David: «Nascer-te-á um filho que será um homem pacífico; o seu nome será Salomão. Ele edificar-me-á um tempo, será para mim um filho e eu serei para ele um Pai». Se repararmos, é um pouco a repetição da promessa já feita anteriormente, mas neste caso aplicada e consubstanciada em Salomão. E, segundo o texto, a transição ocorre já aqui: «David, já velho e cheio de dias, constituiu Salomão rei de Israel».
Entretanto, o texto enumera os levitas e sacerdotes que haveriam de estar ao serviço do templo; nestes incluem-se os cantores, «que profetizavam ao som da harpa, da cítara e dos címbalos» e os porteiros, a quem «foi confiada a guarda para o serviço do templo». Finalmente, David recordou ao povo que deveria ajudar o seu filho em tão grande tarefa, e convidou-os a fazer ofertas para o templo: «quem quer, hoje, oferecer espontaneamente donativos ao Senhor?». «O povo alegrava-se com as suas oferendas voluntárias, pois era de coração generoso que as faziam ao Senhor». Como se vê, houve a preocupação de David deixar tudo pronto para Salomão, e o povo auxiliou-o empenhadamente nessa iniciativa.