2007-11-27

Recenseamento (23,8 - 24 ; 11,10 - 12 . 21 . 27)

As enumerações de pessoas e as genealogias são frequentes ao longo da Escritura, uma vez que, como já se referiu, os israelitas lhes atribuiam grande importância, pois provavam a sua pertença ao povo eleito. Uma das enumerações presentes tanto no livro de Samuel como no das Crónicas é a dos homens de guerra fiéis a David.
Também talvez integrada nesta preocupação de enumerar está a decisão de David de fazer o recenseamento do povo. Na Sagrada Escritura, os recenseamentos nunca costumam ser do agrado de Deus; este, especialmente, feito sem Sua ordem e a despeito da opinião dos conselheiros de David, provocou naturalmente a Sua cólera. De qualquer forma, a sua motivação é diferente consoante o texto: enquanto no livro de Samuel, «a cólera do Senhor inflamou-se contra Israel e permiriu, para sua desgraça, que David mandasse fazer o recenseamento», nas Crónicas, «Satã levantou-se contra Israel e incitou David a fazer o recenseamento». Temos, portanto, que a princípios quase opostos é atribuída a mesma acção. Isto não permite, no entanto, identificar um ser mau com a cólera de Deus; o texto não explica o que desencadeou esse incentivo para David pecar.
Feito o recenseamento, cujo número é divergente nos dois livros em estudo, Deus quis castigar os israelitas, e propôs a David que escolhesse um entre três castigos: a fome, a guerra ou a peste. É curioso verificar que estas calamidades ainda hoje prejudicam, em muito, o homem. David optou pela peste, e é interessante a descrição que o livro das Crónicas faz: «Deus enviou um anjo a Jerusalém para a destruir; o anjo do Senhor estava entre o céu e a terra, com uma espada desembainhada na sua mão, dirigida contra Jerusalém».
David pediu perdão a Deus e construiu um altar sobre uma eira, no qual ofereceu sacrifícios. Com isto, conseguiu que terminasse aquele castigo. A edição acrescenta, ainda, que o templo de Salomão foi contruído sobre esse altar.