2007-12-05

Últimas palavras de David (22 - 23,7 ; 29,10 - 29,20)

As últimas palavras que os textos atribuem a David, no final do seu longo reinado, são reveladoras do seu espírito intelectual e crente em Deus. Além de recordar, metaforicamente, os benefícios que Deus concedera a David, um cântico apresenta, também, uma perspectiva bastante antropomórfica de Deus: «Saía, de Suas narinas, o fumo da Sua ira, e, da Sua boca, um fogo devorador (...) Subiu, depois, sobre os querubins, e voou. Voou sobre as asas do vento. Cobriu-Se de trevas para Se ocultar, de águas tenebrosas e de nuvens negras». Como se verifica, estão aqui presentes imagens muito belas. O cântico prossegue em acção de graças de David.
No capítulo seguinte, surge um pequeno poema que se inicia em estilo profético, «Oráculo de David, filho de Isaí». Com efeito, neste texto, David aplica a si próprio algumas promessas de Deus que só encontrarão a sua realização plena em Jesus Cristo: «Ele [Deus] fez comigo uma aliança eterna, aliança firme e imutável». Além disso, termina com uma forte adomestação aos pecadores: «os homens maus não prosperarão; serão arrancados como os espinhos [...os quais] são, por fim, queimados no fogo».
Finalmente, o Primeiro Livro das Crónicas inclui também um texto do mesmo estilo, mas desta feita sob a forma de um discurso ao povo. Além de bendizer ao Senhor, tem ainda uma bonita oração acerca das oferendas a Deus: «Tudo vem de Vós e não oferecemos senão o que temos recebido da Vossa mão».
Lisboa, 7 de Dezembro de 2007