A prosperidade que o reino de Israel atingira sob Salomão, permitiu a este dar continuidade à promessa de David de construir um templo a Deus. Para tal, Salomão recuperou a aliança que David fizera com Hiram, rei de Tiro; este ficou lisongeado e cedeu madeiras e operários para as cortar, recebendo, em troca, bens alimentares.
No que respeita à construção do templo, ambos os livros são bastante coincidentes. Este era constituído, basicamente, por um pórtico (vestíbulo), onde a assembleia se preparava para as celebrações, pelo templo propriamente dito e, no interior deste, pelo santuário, ou Santo dos Santos, onde se guardava a arca da Aliança. Todo o interior do templo, diz o texto, era em ouro. O livro dos Reis mostra Deus a reforçar novamente as promessas feitas a Salomão. A descrição prossegue com os querubins, que encimavam a arca e adornavam todo o templo, com o mar de bronze e com as outras instalações e utensílios. A respeito do mar de bronze, grande recipiente cilíndrico de 5 m de diâmetro por 2,5 de altura,o texto das Crónicas refere que se destinava a «abluções [lavagens rituais] dos sacerdotes». Com efeito, a sua origem provável está na bacia de bronze referida em Êxodo 30, com a mesma finalidade; de qualquer forma, a edição avança a possibilidade de o mar de bronze, pelas suas dimensões e formato, envolver também uma importante carga simbólica. Ainda a propósito de elementos simbólicos, descreve-se que, «diante do templo», foram erigidas duas grandes colunas de bronze, sendo-lhes atribuído os nomes de Jaquin e Booz; segundo a edição, além da função estética, também podiam servir para observações astronómicas.
Estando o templo construído, foi tempo de se realizar a transladação da Arca da aliança, como já antes fora transladada para o tabernáculo de Jerusalém por David. Para este evento grandioso, organizou-se uma grande procissão de israelitas, e os sacerdotes ofereceram muitos sacrifícios. Contudo, mais interessante ainda, foi a manifestação que Deus, em seguida, fez da Sua presença; de facto, «a nuvem encheu o templo do Senhor».
Segue-se uma longa e bela oração de Salomão, semelhante em ambos os livros, que é sobretudo um elogio ao templo, e em que ele pede a Deus que atenda aos pedidos que sejam feitos no templo ou pelo tempo. Acerca desta oração, dois apontamentos mais concretos: primeiro, parece que existe uma certa preocupação em aceitar que o templo não é a casa de Deus («Pois se nem os céus nem os céus dos céus te conseguem conter! Quanto menos este templo que eu edifiquei?»; «ouve-o lá do céu»); é, antes, «o lugar do qual [Deus] disse: "Aqui estará o Meu nome"» - ou seja, o lugar onde o Nome de Deus é invocado. Segundo, uma nota de universalidade da parte do rei Salomão: «Até o estrangeiro, se ele vier de um país longínquo por causa do Teu Nome, se esse homem vier rezar a este templo, atende a tudo quanto te pedir esse estrangeiro. (...) Assim, todos os povos da terra hão-de conhecer o Teu nome». Na resposta, Deus confirma a Salomão que atenderá aos seus pedidos. Contudo, alerta-o de que tal supõe o respeito pelas Suas leis, sendo que, se tal não existir, o povo será severamente castigado, e o templo servirá de escárnio para as outras nações. Este será o ponto de partida para a história israelita posterior.
O livro dos Reis descreve, ainda, brevemente, a construção do palácio de Salomão. Nota-se que há a preocupação de realçar a sua grandeza e esplendor, atendendo aos materiais utilizados e à riqueza da decoração.